Nesta azáfama em que vivemos na grande cidade, em que por vezes, esquecemos os pequenos pormenores, que nos fazem regressar á realidade do dia a dia, nesta imensa selva de betão, dou por mim a olhar para o infinito à procura de uma resposta para os dias que correm, com a incerteza num futuro melhor, que talvez não chegue.
Neste Presente, que queremos que passe mais depressa, para que possamos sorrir no futuro, e que parece longínquo, e quase inacessível.
É nestes pormenores diários onde nem todos chegam, que quero-vos falar de uma pequena notícia que tive conhecimento um destes dias, e que reza assim:
Na remota região de La Gloria, na Colômbia fatigada pela guerra, existe um homem chamado Luis Soriano (professor primário), e dois burros (Alfa e Beto), ele criou um serviço denominado de “BIBLIOBURRO” , com o objectivo simples de levar livros a pessoas que os não têm, e por conseguinte poder, de alguma forma, melhorar esta região empobrecida, e assim desta maneira tão humilde passa uma mensagem de esperança, porque acredita na magia dos livros em mudar a vida dos homens.
Quem não acredita nessa magia que é viajar nas páginas de um livro e levar outros connosco para locais nunca visitados e conhecer pessoas que nunca vimos, e com elas podermos transformar o mundo, num mundo melhor?
O Luis Soriano, com a sua biblioburro itinerante presta um serviço público, que devia colocar a pensar os nossos Ministérios da Cultura e da Educação e algumas autarquias. Todos sabemos que outrora havia um serviço da Fundação Calouste Gulbenkian , denominado de biblioteca itinerante, e que percorria todas as aldeias de Portugal, porque não voltar a esta ideia agora com o complemento da net, em especial para os mais idosos.
Na Colômbia, os burros ainda servem para carregar livros, mas por cá para que servem? Se já nem livros carregam !!! Talvez se olharmos bem, eles ainda carregam livros, mas de cheques e estão ao serviço das administrações das empresas que pagam de uma forma obscena aos seus administradores milhões de euros em bónus anuais, e nestes dias de crise são os mesmos que nos pedem sacrificios, para equilibrar as contas públicas.
Fecho os olhos para não ver o trilho que o nosso burro leva, neste passo acelerado de caminho para o abismo.
José Leandro Lopes Semedo
quarta-feira, 2 de junho de 2010
segunda-feira, 24 de maio de 2010
OPINIÃO: “Vamos à Vila”
Esta semana, na reunião do executivo da Câmara de Nisa, foi aprovado ceder parte da antiga escola primária de Montalvão, à Associação “Vamos à Vila” (Montalvão), por 4 anos, com renovações por período de 1 ano.
A ideia de voltar a dar vida a um edifício mandado construir durante o “Estado Novo”, incluído no famoso plano escolar intitulado “centenário” e que teve uma importância enorme na formação de muitos montalvaneses, (desde os anos 40 do século XX), merece o meu aplauso, já vai sendo tempo de valorizar e dar a conhecer todo o património desta terra, dando uso aos seus edifícios de uma forma correcta, de maneira a preservar toda uma memória colectiva, para que perdure no nosso imaginário o local onde várias gerações aprenderam a ler e a escrever, e que, de futuro irá albergar esta jovem associação de cariz cultural, que tem no seu ADN todos estes valores culturais associados.
Esta cedência de património, vem levantar algumas questões quanto ao uso ou reconversão de alguns imóveis públicos, que estão ao abandono e sem qualquer tipo de intervenção, por parte das várias entidades competentes. Não será melhor ceder estes espaços às associações do nosso concelho, para elas desenvolveram as suas acções em vez de estarem fechados sem qualquer uso?
Penso, ser esta a altura de se estabelecer um plano (parceria) a longo prazo, entre as juntas de freguesia, as associações e a Câmara, para dinamizar estes espaços públicos, que estão fechados (antigas escolas, casas do povo, igrejas) com animações culturais, nomeadamente exposições, conferências, debates, teatro, cinema, etc.
Estas associações culturais, podem trazer uma renovação a estas pequenas e isoladas localidades, como é o caso de Montalvão, com um atractivo e vasto programa ao longo do ano, podem de algum modo somar mais qualidade e bem - estar socioeconómico para estas gentes, nomeadamente com a criação de eventos na área das tradições, saberes e sabores, atraindo novos visitantes.
Neste últimos tempos muito se tem falado das industrias culturais, e qual o seu valor na nossa economia, nestes dias economicamente incertos. E todas as formas de dinamizar estas regiões deprimidas têm de ser tidas em conta.
Nestes poucos meses de vida esta associação cultural tem tido uma actividade extremamente regular, com destaque para o interessantíssimo workshop dedicado às “Recolhas de literatura oral e tradicional”, em parceria com o Centro I&D da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa.
Gostaria de deixar uma sugestão para esta jovem associação e seus dirigentes, no ano de 2012, Montalvão celebra 500 anos do foral da vila (22 de Novembro de 1512), que tal começar a planear constituir uma comissão para promover várias iniciativas, para celebrar tal data, em conjunto com outras entidades locais?
JOSE LEANDRO LOPES SEMEDO
domingo, 9 de maio de 2010
OPINIÃO: A MEMÓRIA DE UMA ÁRVORE NUM JARDIM DE NISA
Num destes dias de Maio, com a Primavera como companheira, Nisa acordou mais pobre! Mandou, a Câmara Municipal proceder ao abate de um conjunto de árvores de avançada idade, do pequeno jardim do Largo Heliodoro Salgado. Discretas e elegantes, mesmo com muitos anos de vida, ali estavam com a sua copa verdejante e o seu tronco rugoso, como a lembrar as profundas e marcantes rugas de uma face já envelhecida pelo tempo, e transportando no seu seio as lembranças de uma vila cheia de gente bonita e inteligente, que se sentavam nos bancos do jardim, nas tardes quentes, para saborear nas suas sombras a brisa que corria dos lados da serra, e as aves que vinham de longe, para no aconchego dos seus ramos, construir os seus ninhos e ter as suas crias.
O tempo marca a árvore e ela por sua vez marca o tempo de uma forma que só ela o faz, no Outono o cair da folha, no Inverno o descanso, na Primavera o início da vida e no Verão a força, mas o que a árvore é mesmo é a forma mais deliciosa de pensar o tempo.
Mas, como o tempo não está para se pensar muito, mandou este executivo camarário, abater a raiz da nossa memória de uma forma cruel e sem solicitar autorização aos mais interessados: os seus munícipes.
Existe perdido nas folhas de um livro de Sophia de Mello Breyner, um conto intitulado “A Árvore”, que foi construído a partir da narrativa homónima tradicional, do escritor japonês Isao Tesuka, que apresenta-nos um povo que vive em equilíbrio com uma árvore cuja imponência surpreende até os mais viajados; um povo que sofre por ter de cortar essa árvore, «bela, antiga e venerável», que crescera tanto que os raios de sol já não podiam entrar na ilha; um povo, afinal, que sabe transformar a morte da sua árvore em vida, e uma árvore que nesse contexto de acolhimento sem reservas sabe perpetuar a sua memória.
A certa altura do texto a escritora refere que: «Os japoneses têm um grande amor e um grande respeito pela Natureza e tratam todas as árvores, flores, arbustos e musgos com o maior cuidado e com um constante carinho.»
E foi nesta parte do conto, que consegui perceber, a atitude carinhosa que muita gente transmite nesta questão do património ambiental, mas que mesmo não sendo japonês, basta ter no nome um apelido do país do sol nascente, para se tornar num defensor da natureza em toda a sua grandeza, até mesmo para exterminar umas quantas árvores "obsoletas", num jardim do nosso Largo.
José Leandro Lopes Semedo
terça-feira, 20 de abril de 2010

Foi na madrugada daquele longo dia de Abril, que o povo saiu á rua para gritar bem alto:
- Viva a Liberdade !!
E nestes 36 anos que vivemos com ela (Liberdade), o que nos aconteceu? Por onde andamos? E para onde queremos ir? Uma coisa é certa vamos continuar juntos…. Mas muito coisa tem que mudar na nossa sociedade, para que o povo continue a sonhar. A sonhar que ainda é possível viver neste país cada vez mais desigual e pobre. A onde em cada esquina há mais desempregados de mão estendida, suplicando um emprego com salário digno, melhor saúde, melhor Justiça, melhor educação, enfim melhores condições de vida.
E é neste cenário em que no pano de fundo está a crise financeira, que nos sufoca em cada dia que passa, e nos arrasta para um beco sem saída. Um país em que Abril ainda não chegou, que nos parece que nunca irá chegar, com a corrupção generalizada e as máfias instaladas nos gabinetes do poder. Que país é este?
A onde estão os ideais e a ética que tanto se fala na classe política?
Não foi este país que nos prometeram, e não é este país que queremos deixar para os nossos filhos, certamente! Devolvam os nossos sonhos, é isto que peço em cada dia que passa, que nos entreguem novamente esta capacidade que todos deviam de ter, e que um dia foi levada para um sitio inacessível, de onde vem uma voz que constantemente apela para o nosso espírito de resistência, para que sejamos fortes e que paguemos os sonhos dos outros com os nossos próprios sonhos. Basta! Eu só peço um país melhor…
Um país em que seja possível viver com os 500 euros do trabalho precário, ou com os 200 da reforma. Não podemos continuar a assobiar para o ar, o futuro está mesmo aí, e a “geração call-center “ não os vai perdoar, pelas condições de vida que lhe estão a dar, e pelo 25 de Abril que eles iram descobrir, um dia talvez tarde demais…sufocados pelos juros do cartão de crédito e pela falta da mão amiga dos familiares mais chegados.
Por favor devolvam-nos simplesmente os sonhos, com liberdade, neste dia de Abril.
José Leandro Lopes Semedo
domingo, 4 de abril de 2010
Nisartes ou Feira de Artesanato e Gastronomia?

Esta semana em declarações à agência Lusa, a Presidente da Câmara de Nisa, anunciou que por falta de verba não se irá realizar o certame anual, que dá pelo nome de Nisartes - Feira Internacional de Artes Tradicionais, e como o orçamento para 2010 e as grandes opções do plano estavam empolados e obrigaram-na, assim, a fazer um corte superior a um milhão de euros. Pois bem como todos ficamos a saber, só no ano 2009 a feira teve um custo de perto de 600 mil euros, não acham que é uma verba muito alta para este género de eventos, que uma boa parte vai para os artistas “famosos” que recebem cachet milionários?. E pergunto eu, que género de feira será a mais indicada para um concelho que tem uma riqueza imensa, que reside no seu vasto património material e imaterial? Sejamos francos, todos sabemos que a Nisartes estava longe de cumprir o seu papel essencial, de ser um veículo de divulgação do nosso artesanato, tradições, costumes e gastronomia, enfim de passar uma imagem de um concelho com uma componente turística forte.
E como tal deve-se repensar na forma mais eficaz de juntar as artes do espectáculo com a divulgação da nossa cultura e com custos mais razoáveis.
Existem estudos recentes na área do turismo cultural que destacam um
Interesse crescente, dos visitantes de um determinado local, sobre a gastronomia, e o concelho de Nisa é um local muito interessante deste ponto de vista, onde podemos aliar a componente dos sabores com a dos saberes destas gentes hospitaleiras, e a cozinha é um símbolo cultural, é memória, enfim é principalmente património cultural e como tal não o podemos abandonar e se soubermos aliar todos estes factores a outros de carácter mais lúdico de certo que podemos atingir o objectivo final: divulgar a nossa terra.
A fórmula que proponho é a seguinte: ao longo do ano realizar semanas temáticas com base num prato típico, em colaboração com a restauração local. O objectivo destas semanas gastronómicas é de atrair mais visitantes e de uma forma dispersa ao longo do ano, como maneira de dinamizar a economia local, e dar a conhecer estes imensos sabores alentejanos, feitos por estas gentes e com matérias-primas oriundas destas terras bordadas com a sua beleza impar. E no mês de Agosto a Feira do Artesanato e Gastronomia com um cariz mais tradicional, dando destaque ao artesanato e a nível musical ao folclore e às danças e cantares. E estou certo que com menos orçamento e mais apoios o resultado será outro. E acredito nestas acções como fazendo parte de um investimento a longo prazo que trará retorno, certamente.
José Leandro Lopes Semedo
quinta-feira, 25 de março de 2010
A INIJOVEM organizou no passado sábado, dia 20, a “XI Rota do Contrabando”, um percurso pedestre transfronteiriço em travessia, entre as localidades de Montalvão (Portugal) e Cedillo (Espanha), com passagem pelo rio Sever.
Dois países. Duas regiões. Dois rios que tanto separam quanto unem. A memória colectiva de tempos passados, tempos de fome e miséria, de sustos e tiros. Onde há raia há contrabando. E há histórias de contrabandistas. Histórias contadas pelas pessoas que, no escuro da noite, seguiam por caminhos traçados e imaginados em direcção à raia.
Foram mais de três centenas de caminheiros que se juntaram, bem cedo, em Montalvão junto ao castelo para ouvirem as explicações dos membros da organização sobre as dificuldades e os procedimentos a cumprir durante o passeio, dando-se início à caminhada pelas 9 horas.
Os caminheiros percorreram depois o trajecto em terras portuguesas até ao rio Sever e através de barcos atravessaram o rio.
Seguiu-se o percurso mais difícil, a subir, pelos íngremes caminhos da margem direita do Sever, entre uma paisagem luxuriante e admirável tendo o rio como pano de fundo.
O verde, o branco e o amarelo da vegetação em tempo primaveril, onde sobressaem as estevas e as giestas ajudavam a enfrentar as dificuldades desta parte do percurso e foi em verdadeiro clima de festa e convívio que os caminheiros chegaram a Cedillo onde tinham a aguardá-los o ribombar dos bombos do Grupo de Nisa, as concertinas e a música dos Domingos & Dias Santos que, mesmo sendo sábado não quiseram faltar a esta festa da cooperação transfronteiriça.
Após 15 quilómetros percorridos, as mais de três centenas de caminheiros e viajeiros, vindos um pouco de todo o país e de vários lugares de Espanha, chegavam ao destino e esperava-os o retemperador almoço.
De tarde, o convívio continuou. Houve festa, baile popular, as habituais fotos da ordem e um olhar, muitos olhares para trás, revivendo os momentos mais emocionantes da Rota do Contrabando.
Uma “Rota do Contrabando” que teve direito, justamente, a reportagem televisiva, a explicações de ex-contrabandista e até a uma encenação histórica levada a efeito pelos alunos do Curso de Animação Sócio-Cultural da Etaproni e que em separado damos conta.
Em suma, mais um êxito de uma iniciativa que tem pés e caminheiros para andar.
Mário Mendes in "O Distrito de Portalegre"
quarta-feira, 24 de março de 2010

Segundo afirmou Teixeira dos Santos na comissão parlamentar de Orçamento e Finanças, o Governo não vê qualquer razão de fundo para que haja um canal público de televisão, mas a RTP não consta na lista de privatizações porque é necessário que “primeiro se reequilibre financeiramente a empresa, antes de se por essa hipótese de privatização”.
A posição do ministro das Finanças foi avançada após uma pergunta do deputado socialista João Galamba sobre a razão pela qual a REN integra a lista de privatizações e a RTP não.
“Temos aqui um desequilíbrio financeiro significativo que recomenda um trabalho prolongado de saneamento e de reequilíbrio financeiro da empresa antes de, eventualmente, se pôr qualquer cenário dessa natureza”, respondeu Teixeira dos Santos.
No Programa de Estabilidade e Crescimento consta uma lista de 17 empresas públicas a privatizar, operações com as quais o Governo estima encaixar 6 mil milhões de euros até 2013.
A privatização da RTP foi defendida em Fevereiro pelo candidato à liderança do PSD Pedro Passos Coelho.
Segundo disse então, a privatização de empresas de comunicação social públicas como a RTP e a Lusa irá avançar caso se torne primeiro-ministro nas próximas legislativas.
“Se for primeiro-ministro, apresentarei uma proposta de retirada do Estado das empresas de comunicação social”, afirmou o candidato à liderança do PSD numa entrevista à Reuters.
“O serviço público pode ser perfeitamente contratualizado entre os operadores privados e não custará seguramente uma média de 400 milhões de euros por ano entre indemnizações compensatórias e taxas de televisão”, acrescentou.
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