Esta semana, na reunião do executivo da Câmara de Nisa, foi aprovado ceder parte da antiga escola primária de Montalvão, à Associação “Vamos à Vila” (Montalvão), por 4 anos, com renovações por período de 1 ano.
A ideia de voltar a dar vida a um edifício mandado construir durante o “Estado Novo”, incluído no famoso plano escolar intitulado “centenário” e que teve uma importância enorme na formação de muitos montalvaneses, (desde os anos 40 do século XX), merece o meu aplauso, já vai sendo tempo de valorizar e dar a conhecer todo o património desta terra, dando uso aos seus edifícios de uma forma correcta, de maneira a preservar toda uma memória colectiva, para que perdure no nosso imaginário o local onde várias gerações aprenderam a ler e a escrever, e que, de futuro irá albergar esta jovem associação de cariz cultural, que tem no seu ADN todos estes valores culturais associados.
Esta cedência de património, vem levantar algumas questões quanto ao uso ou reconversão de alguns imóveis públicos, que estão ao abandono e sem qualquer tipo de intervenção, por parte das várias entidades competentes. Não será melhor ceder estes espaços às associações do nosso concelho, para elas desenvolveram as suas acções em vez de estarem fechados sem qualquer uso?
Penso, ser esta a altura de se estabelecer um plano (parceria) a longo prazo, entre as juntas de freguesia, as associações e a Câmara, para dinamizar estes espaços públicos, que estão fechados (antigas escolas, casas do povo, igrejas) com animações culturais, nomeadamente exposições, conferências, debates, teatro, cinema, etc.
Estas associações culturais, podem trazer uma renovação a estas pequenas e isoladas localidades, como é o caso de Montalvão, com um atractivo e vasto programa ao longo do ano, podem de algum modo somar mais qualidade e bem - estar socioeconómico para estas gentes, nomeadamente com a criação de eventos na área das tradições, saberes e sabores, atraindo novos visitantes.
Neste últimos tempos muito se tem falado das industrias culturais, e qual o seu valor na nossa economia, nestes dias economicamente incertos. E todas as formas de dinamizar estas regiões deprimidas têm de ser tidas em conta.
Nestes poucos meses de vida esta associação cultural tem tido uma actividade extremamente regular, com destaque para o interessantíssimo workshop dedicado às “Recolhas de literatura oral e tradicional”, em parceria com o Centro I&D da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa.
Gostaria de deixar uma sugestão para esta jovem associação e seus dirigentes, no ano de 2012, Montalvão celebra 500 anos do foral da vila (22 de Novembro de 1512), que tal começar a planear constituir uma comissão para promover várias iniciativas, para celebrar tal data, em conjunto com outras entidades locais?
JOSE LEANDRO LOPES SEMEDO
