terça-feira, 20 de abril de 2010


Foi na madrugada daquele longo dia de Abril, que o povo saiu á rua para gritar bem alto:
- Viva a Liberdade !!
E nestes 36 anos que vivemos com ela (Liberdade), o que nos aconteceu? Por onde andamos? E para onde queremos ir? Uma coisa é certa vamos continuar juntos…. Mas muito coisa tem que mudar na nossa sociedade, para que o povo continue a sonhar. A sonhar que ainda é possível viver neste país cada vez mais desigual e pobre. A onde em cada esquina há mais desempregados de mão estendida, suplicando um emprego com salário digno, melhor saúde, melhor Justiça, melhor educação, enfim melhores condições de vida.
E é neste cenário em que no pano de fundo está a crise financeira, que nos sufoca em cada dia que passa, e nos arrasta para um beco sem saída. Um país em que Abril ainda não chegou, que nos parece que nunca irá chegar, com a corrupção generalizada e as máfias instaladas nos gabinetes do poder. Que país é este?
A onde estão os ideais e a ética que tanto se fala na classe política?
Não foi este país que nos prometeram, e não é este país que queremos deixar para os nossos filhos, certamente! Devolvam os nossos sonhos, é isto que peço em cada dia que passa, que nos entreguem novamente esta capacidade que todos deviam de ter, e que um dia foi levada para um sitio inacessível, de onde vem uma voz que constantemente apela para o nosso espírito de resistência, para que sejamos fortes e que paguemos os sonhos dos outros com os nossos próprios sonhos. Basta! Eu só peço um país melhor…
Um país em que seja possível viver com os 500 euros do trabalho precário, ou com os 200 da reforma. Não podemos continuar a assobiar para o ar, o futuro está mesmo aí, e a “geração call-center “ não os vai perdoar, pelas condições de vida que lhe estão a dar, e pelo 25 de Abril que eles iram descobrir, um dia talvez tarde demais…sufocados pelos juros do cartão de crédito e pela falta da mão amiga dos familiares mais chegados.
Por favor devolvam-nos simplesmente os sonhos, com liberdade, neste dia de Abril.
José Leandro Lopes Semedo

domingo, 4 de abril de 2010

Nisartes ou Feira de Artesanato e Gastronomia?


Esta semana em declarações à agência Lusa, a Presidente da Câmara de Nisa, anunciou que por falta de verba não se irá realizar o certame anual, que dá pelo nome de Nisartes - Feira Internacional de Artes Tradicionais, e como o orçamento para 2010 e as grandes opções do plano estavam empolados e obrigaram-na, assim, a fazer um corte superior a um milhão de euros. Pois bem como todos ficamos a saber, só no ano 2009 a feira teve um custo de perto de 600 mil euros, não acham que é uma verba muito alta para este género de eventos, que uma boa parte vai para os artistas “famosos” que recebem cachet milionários?. E pergunto eu, que género de feira será a mais indicada para um concelho que tem uma riqueza imensa, que reside no seu vasto património material e imaterial? Sejamos francos, todos sabemos que a Nisartes estava longe de cumprir o seu papel essencial, de ser um veículo de divulgação do nosso artesanato, tradições, costumes e gastronomia, enfim de passar uma imagem de um concelho com uma componente turística forte.
E como tal deve-se repensar na forma mais eficaz de juntar as artes do espectáculo com a divulgação da nossa cultura e com custos mais razoáveis.
Existem estudos recentes na área do turismo cultural que destacam um
Interesse crescente, dos visitantes de um determinado local, sobre a gastronomia, e o concelho de Nisa é um local muito interessante deste ponto de vista, onde podemos aliar a componente dos sabores com a dos saberes destas gentes hospitaleiras, e a cozinha é um símbolo cultural, é memória, enfim é principalmente património cultural e como tal não o podemos abandonar e se soubermos aliar todos estes factores a outros de carácter mais lúdico de certo que podemos atingir o objectivo final: divulgar a nossa terra.
A fórmula que proponho é a seguinte: ao longo do ano realizar semanas temáticas com base num prato típico, em colaboração com a restauração local. O objectivo destas semanas gastronómicas é de atrair mais visitantes e de uma forma dispersa ao longo do ano, como maneira de dinamizar a economia local, e dar a conhecer estes imensos sabores alentejanos, feitos por estas gentes e com matérias-primas oriundas destas terras bordadas com a sua beleza impar. E no mês de Agosto a Feira do Artesanato e Gastronomia com um cariz mais tradicional, dando destaque ao artesanato e a nível musical ao folclore e às danças e cantares. E estou certo que com menos orçamento e mais apoios o resultado será outro. E acredito nestas acções como fazendo parte de um investimento a longo prazo que trará retorno, certamente.



José Leandro Lopes Semedo