domingo, 4 de abril de 2010

Nisartes ou Feira de Artesanato e Gastronomia?


Esta semana em declarações à agência Lusa, a Presidente da Câmara de Nisa, anunciou que por falta de verba não se irá realizar o certame anual, que dá pelo nome de Nisartes - Feira Internacional de Artes Tradicionais, e como o orçamento para 2010 e as grandes opções do plano estavam empolados e obrigaram-na, assim, a fazer um corte superior a um milhão de euros. Pois bem como todos ficamos a saber, só no ano 2009 a feira teve um custo de perto de 600 mil euros, não acham que é uma verba muito alta para este género de eventos, que uma boa parte vai para os artistas “famosos” que recebem cachet milionários?. E pergunto eu, que género de feira será a mais indicada para um concelho que tem uma riqueza imensa, que reside no seu vasto património material e imaterial? Sejamos francos, todos sabemos que a Nisartes estava longe de cumprir o seu papel essencial, de ser um veículo de divulgação do nosso artesanato, tradições, costumes e gastronomia, enfim de passar uma imagem de um concelho com uma componente turística forte.
E como tal deve-se repensar na forma mais eficaz de juntar as artes do espectáculo com a divulgação da nossa cultura e com custos mais razoáveis.
Existem estudos recentes na área do turismo cultural que destacam um
Interesse crescente, dos visitantes de um determinado local, sobre a gastronomia, e o concelho de Nisa é um local muito interessante deste ponto de vista, onde podemos aliar a componente dos sabores com a dos saberes destas gentes hospitaleiras, e a cozinha é um símbolo cultural, é memória, enfim é principalmente património cultural e como tal não o podemos abandonar e se soubermos aliar todos estes factores a outros de carácter mais lúdico de certo que podemos atingir o objectivo final: divulgar a nossa terra.
A fórmula que proponho é a seguinte: ao longo do ano realizar semanas temáticas com base num prato típico, em colaboração com a restauração local. O objectivo destas semanas gastronómicas é de atrair mais visitantes e de uma forma dispersa ao longo do ano, como maneira de dinamizar a economia local, e dar a conhecer estes imensos sabores alentejanos, feitos por estas gentes e com matérias-primas oriundas destas terras bordadas com a sua beleza impar. E no mês de Agosto a Feira do Artesanato e Gastronomia com um cariz mais tradicional, dando destaque ao artesanato e a nível musical ao folclore e às danças e cantares. E estou certo que com menos orçamento e mais apoios o resultado será outro. E acredito nestas acções como fazendo parte de um investimento a longo prazo que trará retorno, certamente.



José Leandro Lopes Semedo

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