quarta-feira, 2 de junho de 2010

OPINIÃO: ”Biblioburro” – Os livros também andam

Nesta azáfama em que vivemos na grande cidade, em que por vezes, esquecemos os pequenos pormenores, que nos fazem regressar á realidade do dia a dia, nesta imensa selva de betão, dou por mim a olhar para o infinito à procura de uma resposta para os dias que correm, com a incerteza num futuro melhor, que talvez não chegue.
Neste Presente, que queremos que passe mais depressa, para que possamos sorrir no futuro, e que parece longínquo, e quase inacessível.
É nestes pormenores diários onde nem todos chegam, que quero-vos falar de uma pequena notícia que tive conhecimento um destes dias, e que reza assim:
Na remota região de La Gloria, na Colômbia fatigada pela guerra, existe um homem chamado Luis Soriano (professor primário), e dois burros (Alfa e Beto), ele criou um serviço denominado de “BIBLIOBURRO” , com o objectivo simples de levar livros a pessoas que os não têm, e por conseguinte poder, de alguma forma, melhorar esta região empobrecida, e assim desta maneira tão humilde passa uma mensagem de esperança, porque acredita na magia dos livros em mudar a vida dos homens.
Quem não acredita nessa magia que é viajar nas páginas de um livro e levar outros connosco para locais nunca visitados e conhecer pessoas que nunca vimos, e com elas podermos transformar o mundo, num mundo melhor?
O Luis Soriano, com a sua biblioburro itinerante presta um serviço público, que devia colocar a pensar os nossos Ministérios da Cultura e da Educação e algumas autarquias. Todos sabemos que outrora havia um serviço da Fundação Calouste Gulbenkian , denominado de biblioteca itinerante, e que percorria todas as aldeias de Portugal, porque não voltar a esta ideia agora com o complemento da net, em especial para os mais idosos.
Na Colômbia, os burros ainda servem para carregar livros, mas por cá para que servem? Se já nem livros carregam !!! Talvez se olharmos bem, eles ainda carregam livros, mas de cheques e estão ao serviço das administrações das empresas que pagam de uma forma obscena aos seus administradores milhões de euros em bónus anuais, e nestes dias de crise são os mesmos que nos pedem sacrificios, para equilibrar as contas públicas.
Fecho os olhos para não ver o trilho que o nosso burro leva, neste passo acelerado de caminho para o abismo.
José Leandro Lopes Semedo